A carta que nunca te escrevi, Emma…

Bem, posso dizer que és das amigas mais fiéis que tenho. Estás sempre comigo… Seja para onde eu for. E mesmo assim, com todos os meus verdadeiros amigos com quem habitualmente estou, mesmo tu estando presente, não sabem quem tu és…

És assim… És tímida, gostas de fazer tudo sem que reparem em ti e és incrível… és incrível pelo peso que a nossa amizade tem na minha vida, que também é muito tua.

Quando te apresentaram a mim, é como se me apresentassem uma mulher furacão, aquele tipo de mulher intocável, superior a tudo e todos. Enganei-me, simplesmente retribuis tudo aquilo que te dão. Seja bom ou mau, pagas na mesma moeda, como qualquer ser humano o faria.

És incrível, sabes? Incrível, pela forma que me consegues fazer olhar para mim própria e valorizar cada pedaço do meu corpo, como nunca valorizei. Talvez pela tua forma de agires comigo, de me tratares, talvez por sofrermos uma com a outra, o que vai acontecendo na nossa vida.

E as nossas aventuras? Aqueles longos dias em que te dava a preguiça a ti e me obrigaste a ficar na cama a provar da tua preguiça, aquelas noites que me conseguiste tirar o sono, atraída pela tua forte personalidade, as vezes que perdi a força nas pernas de tanto caminharmos. Das vezes que me conseguiste deslumbrar com a tua força, que quis falar e me perdi nas palavras.

Mesmo após tantas zangas, que existem em qualquer amizade, tens a força de me fazer voltar a acreditar que é possível tudo melhorar.

A verdade é que eu vivo contigo, tal como tu vives em mim.

Não podendo viver sem ti, por tudo o que contigo já passei…

Obrigada Emma*!

PS: Hoje durmo sem ti, pois devido às tuas insónias nas últimas noites sinto-me cansada.

*EMMA – Esclerose Múltipla Maldita Amiga