A batalha diária de um coração partido…

Às vezes sentimo-nos tristes. Deprimidos. Sentimo-nos assim sem razão aparente, assim do nada.

Como se o mundo estivesse a acabar.
É como me tenho sentidos nos últimos tempos, é como se calhar te tens sentido nos últimos tempos.

Pensamos que já superamos, que o sofrimento já lá vai, “e o tempo cura tudo”, frase eleita para este tipo de situações. Infelizmente, o tempo não cura nada.

Só rasga a ferida ainda mais, só a faz sangrar mais, só a faz doer mais.
Muito pelo contrário, o tempo só piora.

O que pensamos já ter suportado, aquele sofrimento que parece adormecido em certas alturas, acorda e acorda-nos a dor que tanto queremos que permaneça adormecida.
Ahhhhh… O coração partido, essa batalha diária.

Perdi a pessoa mais importante da minha vida, o homem da minha vida, tenho a noção que devo seguir em frente, erguer a cabeça, mas sem ele não consigo. Não consigo, nem quero.
Ter de me entregar a um outro, ter de puxar para mim outro para poder abraçar, ter de olhar nos olhos outro antes de beijar.

É o que tantas vezes dizemos a nós próprios, não é? Não te sentes capaz de o fazer, pois não?

Sentes que o(a) estás a trair de alguma forma, traí-lo(a), a ele(a) e a ti própria(o).
Chegas a pensar que não vais ser capaz de te entregar a mais ninguém, que aquilo que tu sentiste com ele(a) não vais sentir com mais ninguém, não existe, não vais conseguir encontrar o mesmo sentimento com outro alguém senão com ele(a).

E dói não dói? Veres que parece que só tu é que te importaste, veres que parece que só tu é que estás a sofrer, que só tu é que amaste.

Magoa-te tanto veres que te desarmaste para ele(a), abdicas-te da armadura de ferro, do escudo e de todas as barreiras que construíste, por ele(a). Porque achavas que ele(a) era o(a) tal, mas sejamos sinceros isso é tudo muito bonito nos contos de fada da Disney.
Depois de algum tempo apercebes-te que ele(a) só tomou grande parte do teu tempo e dedicação, tempo esse e dedicação essa que poderias ter dado a quem merecia e a quem sempre te avisou sobre ele(a). Mas não! Preferiste deitar tudo a perder, todo o amor que lhe deste, todas as batalhas que enfrentaste, todas as amizades que perdeste para estar com ele(a), e ele(a)? Oh, ele(a) queria lá saber…

Mas chega aquela altura que tu sabes que assim não vais a lado nenhum. Acabou! Chega! Chegou a hora do “seguir em frente”.

Chegas a ter a perfeita noção que a vossa história chegou ao fim. Não há volta a dar. Esquece. E quando a “história” acaba o que é que fica? Não fica nada! Vês a outra pessoa a fazer a vida dela quando a tua está ali. Parada. Tens de ir buscar forças para fazer tudo, parece que recuaste no tempo e tens de aprender a caminhar de novo.

Tens de ir buscar forças pra te levantares da cama, tens de ir buscar forças para se eventualmente te cruzares com ele(a) na rua não teres o desejo incontrolável, que tens, de correr para os braços dele(a).

Porque a vossa história já passou. Mas não. Não passou. Ainda está não “entranhada” em ti que não tens a coragem de dizer que terminou.

Porque ainda tens aquele pingo de esperança, ainda acreditas que o que vos uniu em tempos pode ressurgir de novo.

Mas não! Por muito que tu queiras, por muito que te doa, as coisas não vão voltar a ser o que eram só porque tu queres.

Não é assim que funciona. Essa dor que sentes não tem só o objetivo de te magoar de te fazer sentir fraco(a), ela ensina!

Basta teres a capacidade de prestar atenção aos ensinamentos dados…
Ela vai fazer com que não voltes a cair no erro, vai ser aquele “abre olhos” que na altura precisaste, ela até pode ser a tua melhor amiga.

Sempre se diz que não há mal que bem não traga não é assim?
Aliás, “what doesn’t kill you makes you stronger”.

Não faças de conta que estás bem, não mostres o sorriso quando estás tão quebrada(o) por dentro, essas coisas do “sorrir de dia e chorar à noite”, coisas de não mostrar parte fraca, ai eu sou forte e tal… chora quando tiveres de chorar, grita quando tiveres de gritar… mas nunca desistas, um(a) verdadeiro(a) guerreiro(a) não é aquele(a) que nunca chora, é aquele(a) que limpa as lágrimas e se ergue uma e outra vez.

Deixa-te levar pela dor, lava o rosto, ergue a cabeça e parte para uma nova aventura. Parte! Mas nem te atrevas a olhar para trás.
Tens um caminho à tua frente, um caminho que precisa de ser percorrido.
Percorre-o, mas percorre-o com um sorriso no rosto todos os dias.

PORMaria B. Alberto
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