4 estações de amor!

Era inverno, um dia cinzento, um dia triste, mas a que eu chamo “o melhor dia da minha vida“, passas-te na rua mas não me viste, então dei a volta ao quarteirão e passei por ti novamente. Houve uma troca de olhares, um toque de tecido, um conjunto de sorrisos, um batimento forte, a que eu chamo de amor. A partir desse dia ficava à tua espera, mas sempre sem coragem de te falar, de te convidar para um jantar, pedir-te o número, ou apenas perguntar pelo teu nome!

Foram horas, dias, semanas, meses, que ficava ali sentado naquele banco de rua a ver-te passar mas nunca passou disso, e a culpa é toda minha e da minha infantilidade de amar!

Mas naquele dia chuvoso, não te vi passar, não senti o cheiro do teu perfume, comprado naquelas lojas caríssimas que tu tanto adoras, não me perguntes como eu sei, tenta permanecer na ignorância, e no nosso ignorante amor que eu tanto amo e tu não sabes! Procurei-te por todo lado, não te vi, não te encontrei! Desapareces-te daquela rua, desapareces-te da nossa história de amor. Mas não te preocupes, serás sempre o amor dos meus sonhos, dos meus pesadelos, dos dias chuvosos, dos dias de calor, da minha vida. Serás sempre o amor do meu eterno amor!

Agora, vou sentar-me naquele banco à espera que apareças, à espera que te sentes a meu lado, à espera que me beijes, à espera do amor, à espera de ti!
Era primavera, e foi sem dúvida o “melhor dia da minha vida”.

– Vou-te querer sem mais nem menos!

– Vais ser o melhor de mim, até me fartar!

– Fartar é um erro!

– Erro é não te ter comigo!

-Serás sempre minha!

-Seremos sempre nossos!

-Diz que me amas!

-Digo que te desejo!

– Para sempre?

– Até que a morte me desafie.

-Vais desistir depois?

-Não, vou morrer!

– Morrer?

-Morrer de amor…

-Por nós!

– Por tudo!

-Amo-te eternamente!

-Amo-te incondicionalmente!

Beijaram-se e foram lutar pelo o amor, vencendo todas as batalhas!

– Até que a morte nos une mais e para sempre!
Era verão, um dia quente, um dia feliz e foi o “melhor dia da minha vida”.
Acordei e não te vi deitada na nossa confortável cama. Estávamos na casa de férias, junto á praia e eu não sei para onde tinhas ido. Procurei-te em todo o lado mas não te encontrei, estúpida a minha burrice por não te ter procurado na praia. Mas lá estavas tu, sentada na areia a olhar para a ciência do mar, para a ciência do no nosso infinito amor.

Fui ter contigo e beijei-te o ombro destapado, agora ali, éramos só os dois e ao nosso redor havia inúmeros grãos de areia, infinitas gotas salgadas e extraordinariamente um sentimento chamado de amor.

Percebi que queria permanecer contigo até ao fim da minha e da tua vida, da nossa… Era contigo que eu queria partilhar todos os momentos, todos os sentimentos, todas as histórias, todos os meus sonhos, todos os contratempos, tudo contigo, de uma forma ou de outra, contigo!

Pus a hipótese de irmos para dentro, para tomar o pequeno-almoço, mas negas-te dizendo que estavas a sentir a brisa do mar e querias sentir a brisa do nosso incomensurável amor. Deste-me a mão, olhaste-me nos olhos e com a tua boca beijaste-me e depois de um curto momento, que na minha vida se tornou longo, tu disseste “Amo-te” e eu limitei-me a repetir.

Eu sabia que me amavas como eu te amava, que eras feliz como eu era, que éramos só nós os dois e só o nosso perfeito amor.

Era outono, um dia sem frio mas com um toque de chuva, um dia normal mas o “melhor dia da minha vida”

Éramos casados à 20 anos, não éramos felizes! Mas eu amava cada pedaço de ti!

Cheguei a casa, após um dia de trabalho, lá estavas tu a ler as últimas páginas do livro que tinhas comprado à pouco mais de um mês, e não não estou a falar de um livro com 300 páginas.

Jantámos, em silêncio como era habitual, sem haver uma única pergunta básica que todos os casais fazem, menos nós! Arrumas-te a mesa e foste dormir, mas eu fiquei, permaneci sempre no mesmo lugar, sentado naquele banco a ver-te subir as escadas, eram perfeitas as tuas curvas, eras perfeita em tudo. Os olhos queriam-te, a boca queria-te, o meu corpo e tudo o que resta de mim, queria-te!

Deitei-me ao teu lado, e apaguei a luz. Estava à espera de um “Boa Noite, meu amor”, mas tudo ficou pela minha espera. Sonho contigo todos os dias, sabias? Nós os dois, num lugar qualquer, a uma hora qualquer, a tentar decifrar o amor até à sua etimologia. E sonho com esperança!

Acordei de manhã, com toda a força do mundo para te amar…Não estavas, o teu lado estava completamente desocupado, aquele quarto estava vazio!

Na tua almofada só restava uma folha de papel, com as tuas justificações!E Começas-te assim:

“ Amo-te em silêncio, amo-te de verdade!

Estava na altura de me despedir, acho que ambos sabíamos isso mas omitíamos sempre a verdade. Amei cada dia, cada mês, cada ano que estive do teu lado. Não me arrependo do nosso estranho amor que vivíamos, e que tanto as pessoas questionavam…

Sei como me olhavas quando eu subia as escadas, quando estava a ler os meus livros, e quando bloqueávamos o caminho um do outro. Sabia o quanto me amavas, o quanto me desejavas, sabia tudo o que havia para saber, não porque eras previsível até esse ponto, mas sim porque te amava e porque te amo como ninguém!

Acordava de madrugada para te ver dormir, olhava imensas vezes para o relógio com a esperança de que chegasses mais rápido. Queria-te a todo o momento, e principalmente no inoportuno! Queria-te radicalmente e para sempre!

Amávamos, amamos de uma forma diferente, sem definição e sem cálculo e é o que me faz apaixonar todos os dias por nós os dois, e pelo amor que construímos. Vou-te querer sem te ter, acredita meu amor! És a resposta ao meu amor, és tudo em tudo.

Tenho de ir, meu querido. Tenho de partir, e não me esperes, pensa em mim,apenas, e ama-me!

Amo incondicionalmente o nosso amor! “

E nunca mais te vi.

4 formas de amar, 4 formas de viver!

PORMariana F.
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